4 perguntas sobre ESG, o conceito que tem sido cada vez mais adotado por empresas do setor de combustíveis

17 de Março de 2021

Conheça o selo que garante o compromisso de uma empresa com o meio ambiente, a sociedade e a ética corporativa

 

Os princípios ESG têm ganhado cada vez mais relevância no cenário corporativo brasileiro. A pandemia de Covid-19 teve seu papel no aumento do interesse pelo tema. O motivo se deve ao preparo em lidar com crises e impactos socioambientais por empresas que adotam os critérios de ESG.

 

Há duas semanas atrás, o assunto recebeu ainda mais destaque no mundo dos negócios brasileiro devido ao evento organizado pela XP Investimentos dedicado exclusivamente ao conceito ESG. Na esteira do encontro, Guilherme Benchimol, fundador e CEO da XP Inc., declarou acreditar que o tema ESG “vai redesenhar todo o ecossistema de negócios”.

 

Considerando a notoriedade do conceito, o Aprix Journal se propôs a responder 4 perguntas sobre ESG e verificar como as empresas do setor de combustíveis estão incorporando o conceito nas suas políticas estratégicas. Confira:

1. O que é ESG?

O termo nada mais é do que a abreviação das palavras em inglês Environmental, Social e Governance (ambiental, social e governança, traduzindo para o português). A partir destes três fatores se avalia o desempenho das empresas em reduzir os impactos ambientais, promover os direitos humanos e a diversidade, e empregar políticas transparentes e éticas dentro da companhia.

2. Como surgiu o termo?

Em 2004, o então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, por meio do Pacto Global, convidou 18 instituições financeiras originárias de 9 países para desenvolver um relatório denominado “Who Cares Wins” (Quem se importa vence, traduzindo para o português). O objetivo deste documento era desenvolver diretrizes e recomendações sobre como integrar questões ambientais, sociais e governamentais no mercado de capitais.

Um ano depois, a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente em parceria com o Freshfields Bruckhaus Deringer, um dos maiores e mais antigos escritórios de advocacia do mundo, publicou um documento chamado “A Legal Framework for the Integration of Environmental, Social and Governance Issues into Institutional Investment” (Quadro Jurídico para a Integração da Ambiental, Social e Questões de Governança em Investimento Institucional, traduzindo para o português). Por meio deste relatório se buscou promover os critérios de ESG na avaliação financeira.

Ambos relatórios foram referência para o desenvolvimento do documento chamado “Principles for Responsible Investment” (Princípios para o Investimento Responsável, traduzindo para o português), lançado em 2006 na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Com base nesses relatórios, foi inaugurada no ano seguinte uma iniciativa denominada “Sustainable Stock Exchange” (Bolsa de Valores Sustentável, traduzindo para o português).

Ainda que as Nações Unidas tenha empregado um grande esforço no desenvolvimento de tais documentos e iniciativa relacionados ao conceito de ESG, o termo passou a ter efetivamente relevância dentro do mundo dos negócios somente em 2019. Esta mudança de comportamento corporativo ocorreu após a Business Roundtable, uma associação de diretores executivos das principais empresas dos Estados Unidos anunciou um documento intitulado “Statement on the Purpose of a Corporation” (Declaração sobre o Propósito de uma Corporação, traduzindo para o português). Por meio dele, 181 CEOs se comprometeram em liderar suas empresas para o benefício de todas as partes interessadas — clientes, funcionários, fornecedores, comunidades e acionistas.

Entre os signatários estão Tim Cook da Apple, Jamie Dimon da JP Morgan, Alex Gorsky da Johnson & Johnson. Porém, o nome que transformou o cenário do ESG foi Larry Fink da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo. Desde então, o número de fundos que passaram a investir exclusivamente em companhias que atendessem os critérios de ESG se multiplicou e cada vez mais empresários passaram a se interessar pelo conceito e a adotar em sua instituição.

3. Quais princípios básicos uma empresa precisa ter para receber o selo ESG?

De acordo com a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), os critérios que podem definir os três fatores do conceito ESG são:

Ambiental:

  • Uso sustentável de recursos naturais;
  • Redução da emissão de carbono;
  • Uso eficiente da energia;
  • Contenção da poluição;
  • Adoção de tecnologias limpas.

Social:

  • Respeito aos direitos humanos;
  • Cuidado com a privacidade e a segurança de dados;
  • Adoção de políticas de inclusão e diversidade;
  • Melhorar as políticas e relações de trabalho;
  • Realizar treinamento da força de trabalho.

Governança:

  • Respeitar a independência do conselho;
  • Promover a diversidade na composição do conselho de administração;
  • Manter a remuneração do conselho de administração a níveis plausíveis;
  • Trabalhar com ética e transparência.

Cabe lembrar que, no Brasil, quem decide se uma empresa tem ou não o selo ESG é a Bolsa de Valores Brasileira (B3). A instituição avalia o desempenho das companhias em cumprir com critérios de sustentabilidade por meio do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) e do Índice Carbono Eficiente (ICO2 B3). Mais recentemente, a B3 em parceria com o S&P DowJones lançou o Índice S&P/B3 Brasil ESG, configurando o terceiro índice de medição ESG.

4. Como o setor de combustíveis brasileiro tem se adequado aos critérios ESG?

Em dezembro de 2020, a B3 divulgou a lista de empresas brasileiras que fazem parte da 16ª carteira Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3). Das 39 companhias elencadas, 3 pertencem ao setor de combustíveis. São elas: Petrobras, Petrobras Distribuidora e Cosan.

Desde 2014, a Petrobras alinha ao seu Plano de Negócios e Gestão e à sua Política de Responsabilidade Social o Programa Petrobras Socioambiental. Por meio desta iniciativa, a companhia realiza investimentos em projetos voltados para as comunidades a fim de colaborar com a preservação do meio ambiente e melhorar as condições de vida da população que habita o entorno de suas operações. O Programa se alinha às diretrizes e aos princípios estabelecidos pelo Pacto Global, à norma ISO 26000 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. A partir desta iniciativa, a Petrobras gerou mais de 20 mil postos de trabalho, conservou ou recuperou mais de 600 mil hectares, alfabetizou mais de 140 mil jovens e adultos, protegeu mais de 400 nascentes.

Já a Cosan, holding que reúne as empresas Raízen, Comgás, Moove e Rumo, tem definidos 10 compromissos com o desenvolvimento sustentável. São eles:

1. Zelar pela segurança de seus times, processos e operações;

2. Promover e estimular a eficiência energética, além de elaborar e manter atualizados inventários de emissões de gases de efeito estufa em todos os seus negócios;

3. Promover a diversidade de gênero em seus processos seletivos e mapa de sucessão, além de desenvolver seus funcionários continuamente;

4. Difundir valores éticos entre todos do seu time;

5. Buscar formas de financiamento atreladas a critérios de sustentabilidade (Green/Social/Transition/ESG-related);

6. Contribuir para o desenvolvimento sustentável do Brasil, começando pelas localidades no entorno das operações de suas empresas;

7. Promover a transparência em relação à gestão de seus negócios e alinhada com aspectos Ambientais, Sociais e de Governança (ESG);

8. Participar de fóruns e iniciativas voluntárias ligadas a temas de sustentabilidade e inovação, para discutir, influenciar e aprender, buscando sempre as melhores práticas globais;

9.Reduzir em 15% as emissões por toneladas por quilômetro útil (TKU) na Rumo até 2025;

10. Reduzir em 10% a pegada de carbono do etanol produzido pela Raízen até 2030;

Todos os dez compromissos têm como referência os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Além do mais, anualmente a Cosan divulga um relatório de sustentabilidade do ano anterior com os resultados das contribuições da empresa para o crescimento sustentável, social e ambiental do Brasil.

Buscando se alinhar aos princípios ESG, em fevereiro deste ano, a Ultrapar anunciou estar desenvolvendo uma nova diretoria, subordinada à presidência da holding, que se dedicará exclusivamente a questões ambientais, sociais e governamentais. O objetivo da companhia é estabelecer metas que servirão como base para realizar um monitoramento contínuo da contribuição da empresa nestas três áreas.

 

 

 



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