A situação do mercado de combustíveis após 5 meses de pandemia

05 de Agosto de 2020

No momento atual, mesmo que a recessão econômica gerada pelo COVID-19 já não seja mais surpresa, o seu efeito permanece sobre o mercado de combustíveis. Como gestor, você provavelmente já quantificou esse impacto no seu posto, mas você já se questionou sobre o comportamento da revenda de forma geral? Para ajudá-lo, a Aprix tem acompanhado de perto a crise, gerando relatórios que são enviados semanalmente de forma gratuita para quem quiser ter acesso à informação de qualidade sobre o setor (increva-se para receber). Nesse artigo, vamos propor duas análises sucintas, uma de preço e outra de volume, que ilustram a evolução desse cenário.

Antes de prosseguir, devemos esclarecer que os dados de volume provêm de aproximadamente 250 postos de combustíveis concentrados sobretudo nas regiões sul e sudeste do país. Os preços, por outro lado, são coletados automaticamente de mais de 9000 postos em todo o território nacional. Ou seja, as figuras abaixo podem ser mais ou menos representativas dependendo da região em que você se encontra.

Volume

Começando pelo volume vendido, o que primeiramente se observa é uma queda vertiginosa na metade do mês de março, com retração de demanda na ordem de 65% para todos os combustíveis, exceto o diesel. Isso ocorre logo após a declaração do estado de pandemia pela OMS no dia 11/03, e a sucessiva adoção de medidas de restrição social. A seguir, há uma lenta e oscilante recuperação da demanda para todos os combustíveis até a data atual. Comparativamente, o etanol é o combustível que apresenta a pior recuperação em todo o período, seguido da gasolina aditivada, do GNV - cuja demanda é a mais oscilante - e da gasolina comum. De fato, não é inesperado que, frente à recessão, o consumidor opte pela gasolina comum em detrimento da aditivada. Por fim, o diesel foi o combustível menos afetado, tanto em termos de mínima demanda - queda de aproximadamente 45% em meio de abril - quanto de velocidade de recuperação, fechando em -8% de demanda no final de julho. No momento presente, a questão mais relevante é: a demanda por diesel continuará crescendo até níveis anteriores à crise, ou chegamos em um novo patamar estável?

Performance de Volume por Combustível

Preços

A segunda análise diz respeito aos preços da revenda. Em oposição às curvas de volume, a queda não foi tão vertiginosa. Dois principais fatores explicam essa diferença em relação à figura anterior: o preço da refinaria, cuja redução foi mais suave que na demanda de volume, e o revendedor ter protegido sua margem. Os preços mínimos da gasolina e do diesel ocorrem em meados do dia 15 de maio, nos valores aproximados de 3,899 e 3,099, respectivamente. É possível observar um efeito interessante nos gráficos de preço médio: tanto na Gasolina Comum quanto no Diesel, a queda de preços foi em ritmo mais acelerado do que a retomada, ou seja, o movimento foi contraintuitivo. A equipe de análise da Aprix atribui o efeito à reação da revenda que tentou proteger o volume da queda brusca apontada anteriormente diminuindo os preços. Porém, a pressão de alta dos preços por parte do refino, agora, obriga o revendedor a retomar os níveis de preços, mesmo com o volume prejudicado pela crise.

Preço médio de Gasolina Comum x Preço médio de Diesel

Estar a par do comportamento do mercado é essencial para administrar o seu posto. Mesmo que simples, esses indicadores agregados - volume e preço do mercado - são capazes de traduzir como os mecanismo do mercado estão se adaptando ao cenário atual e, portanto, podem contribuir diretamente na tomada de decisão estratégica e gerencial dos negócios. Sabemos que muitos outros fatores devem ser considerados, como o custo, o estoque, a concorrência, a elasticidade da demanda, etc. Então, se você gostou desse tipo conteúdo, inscreva-se abaixo na nossa Newsletter, e receba semanalmente nossos relatórios, bem como outros conteúdos relevantes sobre a revenda de combustíveis, tecnologia e precificação.


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