Alisson Lourenço, analista de pricing da BRF, comenta sobre os desafios de precificar em uma grande indústria de alimentos

02 de Julho de 2021

Além disso, o administrador defende que a implementação de um setor de precificação é uma questão de referência nos dias atuais

Com apenas 28 anos, Alisson Lourenço guarda em sua bagagem experiências notáveis que moldaram sua trajetória até a área de precificação. Formado em Administração de Empresas pela Faculdade de São Bernardo e, atualmente cursando o MBA em BI, Marketing Digital e Data Driven na PUCRS, o analista de pricing começou sua trajetória profissional em 2009. Na época, o administrador atuou no setor de Tesouraria e Contas a Pagar da indústria automotiva Ford Motors, onde permaneceu durante mais de dois anos.

Sua experiência com precificação, no entanto, teve início somente em 2015, quando passou a atuar na Nestlé. Após começar como aprendido e passar por diversas áreas dentro da multinacional, Alisson acabou se aproximando do setor de Pricing e Revenue Management e se apaixonando pelo conceito. Essa experiência necessária que administrador participasse da criação e estruturação da área. “Fazer parte do projeto foi super gratificante pelas entregas realizadas no curto espaço de tempo e por colher grandes resultados para a empresa”, lembra. Cinco anos depois, em 2020, a Alisson passou a integrar o time de pricingda BRF, uma das maiores indústrias alimentícias do Brasil, atuando como analista de precificação. “O desafio é manter a qualidade das entregas, ajudar a equipe com novos projetos e crescer com novas tecnologias, agregando cada vez mais valor para a companhia”, conta.

Em entrevista ao Aprix Journal, Alisson Lourenço detalha o processo de precificação de uma indústria de alimentos, explicando quais são os principais fatores que influenciam as decisões de preço e quais são as ferramentas mais utilizadas neste trabalho. Além disso, o analista de pricing compartilha os maiores desafios de trabalhar na precificação de uma empresa do porte da BRF. Confira!


Aprix Journal - Como funciona o processo de precificação em uma indústria de alimentos? Quais fatores influenciam nessa precificação?

Alisson Lourenço - É um processo bem complexo que aborda diversos fatores, dentre eles: alinhamento e sinergia com outros departamentos da companhia, pesquisa de mercado, concorrência, canal de produtos dos clientes, mercado de insumos, economia do país, indexação entre os nossos produtos ; mercado externo, posicionamento de mercado. Com esses processos de precificação, tentamos conduzir de uma forma sólida para sermos o mais assertivos possível e chegarmos aos objetivos rentáveis e volumétricos da companhia. E o mais importante: nos ajudar a ter os nossos produtos no lugar certo, para o shopper ideal e com o preço correto.


Aprix Journal — Quais ferramentas e tecnologias você considera fundamentais para a precificação?

Alisson Lourenço — Depende do tamanho da companhia e da estrutura da equipe de pricing. Para empresas de médio a grande porte, na minha opinião, acredito que seja necessário um sistema de integração entre uma ferramenta de ERP e um sistema de Inteligência artificial. Ter a política de preço em Power BI ou Excel para facilitar e agilizar o dia a dia dos times comerciais e do próprio pricing, ter uma boa ferramenta de pesquisa de mercado e uma área de Big Data e Data Science para criação e desenvolvimento dos dados e relatórios. Já para empresas de pequeno porte ou que estão implementando a área de pricing, uma consultoria de preços do mercado para criação de dashboards, além do bom e velho Excel.

 

Aprix Journal — Atualmente, você compõe a equipe de pricing da BRF, que representa uma das maiores indústrias de alimentos do Brasil. Quais são os maiores desafios do processo de precificação em uma empresa deste porte?

Alisson Lourenço — Um dos maiores desafios que enxergo hoje, como líderes do segmento, é determinarmos as movimentações do mercado, seja em qualidade, inovação ou preço. Temos que estar sempre de olho nas inovações e tentar trazer para o nosso negócio, para melhorar e termos políticas cada vez mais aderentes. Outro processo não menos importante é manter o time engajado e motivado para ter agilidade e desenvoltura nas entregas e análises, dada a dinâmica da área de pricing.

 

Aprix Journal — Além do inquestionável efeito epidemiológico, a pandemia gerou diversos impactos no Brasil, tanto na economia como nos hábitos de consumo dos brasileiros. De que forma esse cenário impacta a precificação?

Alisson Lourenço — Os hábitos de consumo dos brasileiros têm mudado constantemente, querendo cada vez mais olhar o valor e ter experiências que as companhias possam gerar. Na minha opinião, o maior desafio foi ter flexibilidade, dinamismo e sensibilidade para enfrentar o momento de maior recessão da história do Brasil. Além disso, o aumento dos insumos, produtos de commodities e a inflação batendo recordes mostrou que as companhias que têm um time de pricing mais robustos e qualificados estão conseguindo enfrentar esse momento com mais tranquilidade. Algumas classes, com a perda ou diminuição da renda, estão migrando para consumo com preço mais baixos e/ou produtos com qualidade inferior. Muitas empresas optaram por não perder qualidade e, como estratégia de preço, reduziram suas margens. A BRF, no início da pandemia, fez parte de um projeto chamado “Movimento Nós”, em que o intuito era ajudar os pequenos varejistas, com auxílio financeiro e de conteúdo. Fazer parte de uma ação dessas é super gratificante e nos estimula a dar o nosso melhor nesse momento de sensibilidade que o Brasil está passando.


Aprix Journal — Sabe-se que no Brasil ainda é raro que as empresas tenham um setor específico designado a definir e aplicar estratégias de precificação de seus produtos. Portanto, na sua perspectiva, qual a importância do pricing?

Alisson Lourenço — Ter uma área que possa consolidar as diversas visões da companhia como margem, posicionamento e rentabilidade é de extrema importância. A consolidação desses pilares para que a empresa possa chegar ao seu ponto de equilíbrio e, a partir disso, ter um lucro sustentável é possível com a gestão da área de pricing. Na minha opinião, temos um oceano azul quando o assunto é implementação de pricing nas empresas brasileiras, que são empresas que não olhavam para o Pricing and Revenue Management, mas hoje isso é questão de sobrevivência. Começamos a olhar para o futuro e dar mais notoriedade e visibilidade para o profissional de pricing.

 

Aprix Journal — Como você visualiza as soluções de precificação baseadas em Inteligência Artificial?

Alisson Lourenço — Com um mundo cada vez mais tecnológico e com dados cada vez mais acessíveis e aumentando de uma forma exponencial, empresas que já tem um pricing estruturado é fundamental começar a olhar para a inteligência artificial automatizada. Com a inteligência e a capacidade dos algoritmos em aprender sozinhos, eles conseguem entregar cada vez mais dados assertivos. Para estratégias de pricing é sensacional, imagina a IA te propondo qual o melhor cliente, região e produto, que devo aplicar uma política de preço para melhorar minha rentabilidade e volume de forma que teremos poucas probabilidade de erro. Isso é um sonho para o profissional de pricing.

 


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