Arbitragem elevada preocupa o mercado de combustíveis

15 de Junho de 2022

Foto: Nelson Gono

De acordo com importadoras, há risco de desabastecimento de diesel no segundo semestre

A arbitragem — ou seja, a diferença entre os preços praticados pela refinaria no Brasil e seus valores no mercado internacional — para a gasolina e para o diesel já ultrapassou um real. Para o litro do combustível, essa diferença pressiona a precificação e afeta as importações.

No mês passado, após o reajuste de 8,86% do diesel na refinaria, o volume de diesel vendido caiu 5%. Ainda assim, os preços estão novamente desequilibrados com relação ao mercado externo: a arbitragem calculada pelo Painel de Arbitragem da Aprix para o diesel é de -R$ 1,367. A gasolina, há mais tempo sem reajustes na refinaria, registra arbitragem de -R$ 1,012.

Apesar de a política de preços da Petrobras prever reajustes graduais, para acompanhar a variação do mercado internacional sem causar impactos bruscos no mercado brasileiro, o represamento dos preços ao longo dos últimos meses prejudica a janela de importação e ameaça o abastecimento de combustíveis no Brasil.

A imagem mostra, sobre um fundo branco, um texto escrito em letras azul-marinho, que diz:

Podem faltar combustíveis?

O presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araujo, declarou ao Aprix Journal que a elevação da arbitragem representa risco de desabastecimento de combustíveis no mercado interno. “A manutenção da atual prática de preços artificiais pela Petrobras aumenta substancialmente o risco de desabastecimento no nosso país”, declarou ao Aprix Journal.

“Se a Petrobras não alinhar os seus preços ao mercado, as importações pelos agentes importadores não verticalizados e pelas distribuidoras menores não acontecerão”, justificou. Ele ressaltou ainda que que existem mais de 200 agentes autorizados pela ANP para importar combustíveis líquidos, e que, em 2022, somente quatro ou cinco desses agentes realizaram importações.

A Petrobras vem sendo pressionada a mudar sua política comercial diante da escalada dos preços nos últimos meses. Em nota divulgada na última quarta-feira (08), a petroleira defendeu a manutenção de sua política de preços para o equilíbrio do mercado.


De olho em aumentos no preço do diesel

De acordo com a Abicom, a revenda não contratada deverá pagar mais caro pelo óleo diesel. "A tendencia é de que as distribuidoras maiores façam importações para suprimento de seus clientes contratados, e para os revendedores sem contratos (bandeiras brancas, TRRs e consumidores sem contratos) a precificação seja referenciada ao preço da paridade de importação", explicou o presidente da associação.

A proposta do teto do ICMS, aposta do governo federal, pode ser inefetiva na atual crise de preços dos combustíveis. O projeto do teto do ICMS (PLP 18/2022), que tenta evitar que os estados cobrem uma alíquota superior a 17%/18% sobre os combustíveis e energia elétrica, foi aprovado pelo Senado na última segunda-feira (13). Embora a limitação do ICMS possa reduzir a pressão sobre o preço dos combustíveis a curto prazo, não impede a volatilidade dos preços no futuro.

Outros fatores compõem o preço do diesel. De acordo com a Fecombustíveis, a tributação sobre o diesel soma 19,8%, sendo 13,8% o ICMS, imposto estadual e que varia conforme o estado, e 6% correspondem ao PIS/COFINS, tributo federal. Os dados são referentes à média de 2021.

 


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