Até quando o preço da gasolina seguirá aumentando?

05 de Novembro de 2021

Desde o terceiro trimestre de 2020, o preço médio da gasolina tem apresentado aumentos gradativos ao longo do território nacional. No primeiro dia de novembro do ano passado, o litro do combustível em sua versão comum custava em média R$4,49. Em comparação, no primeiro dia de novembro deste ano, o combustível passou a custar em média R$6,75. Além disso, nos últimos dois meses, em mais de quatro estados brasileiros o preço da gasolina passou a marca de R$7,00 por litro. Em Fernando de Noronha, por exemplo, o combustível chegou a ser cobrado por R$9,66, no último dia do mês de outubro.

Após mais de um ano de aumentos progressivos, é natural que os brasileiros estejam se perguntando: até quando o preço da gasolina seguirá aumentando? Na visão de Sérgio Araújo, presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a estabilização ou redução do preço do combustível não será uma realidade muito próxima. “Infelizmente, ainda não é possível ver uma luz no fim do túnel”, afirma. 

De acordo com Paulo Miranda, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), observa-se uma recuperação no mercado. “Há um aumento de demanda decorrente do início do inverno na Europa e Estados Unidos. Esse aumento está fazendo com que as vendas subam e esse também é o caso do Brasil”, avalia. Apesar desta recuperação, ainda não é possível visualizar um futuro breve com queda no preço dos combustíveis. “Todas as pesquisas indicam que o movimento é de alta ainda e, por isso, não existe possibilidade do preço da gasolina cair nesse momento”, conclui. 

Entre os principais motivos que provocam essa situação  está a alta do preço do petróleo. Atualmente, o commodity custa por volta de $84,00. Considerando o histórico de aumentos no valor do barril, registrados desde o ano passado, a previsão é que o preço do produto siga aumentando. “O que os especialistas falam é que o petróleo pode chegar a custar $90,00 e há quem diga que até $100,00”, comenta Araújo. 

A importância deste fator se deve ao regime de Preço de Paridade de Importação (PPI), adotado em 2016, que alinha o valor dos derivados de petróleo de acordo com os preços cobrados no mercado internacional. Além disso, o presidente da Abicom relembra que há uma dependência brasileira na importação de combustíveis. “Com isso, os preços no mercado nacional precisam seguir a paridade internacional”, explica. Ou seja, se a tendência internacional é de alta, consequentemente, em âmbito nacional também será. 

Justamente por esta política, a Petrobras tem realizado uma série de reajustes. No dia 09 de outubro, o litro da gasolina comercializada nas refinarias passou de R$2,78 para R$2,98. Novamente, no dia 26 de outubro, a petroleira realizou um novo reajuste no preço do combustível, que passou a custar R$3,19. No entanto, embora o valor da gasolina esteja alta no Brasil, de acordo com o Global Petrol Prices, plataforma de monitoramento dos preços de combustíveis e energia em 168 países, o valor do litro no Brasil é o 90º mais alto do mundo. Hoje, o preço médio cobrado nos postos de combustível brasileiros está em R$6,80. Tendo em conta que o valor praticado internacionalmente é de R$7,04, conforme a plataforma, o preço médio no Brasil ainda está R$0,24 abaixo do mercado externo. 

Porém, não somente o preço do petróleo no mercado internacional é o culpado do aumento no preço da gasolina, mas também a desvalorização do real em relação ao dólar. Atualmente a moeda estadunidense está flutuando entre R$5,50 a R$5,60, isso quer dizer que se o barril de petróleo custa $84,00, então, em reais o produto estará custando pelo menos R$470. 

Uma das estratégias utilizadas pelo Governo para tentar reduzir a diferença cambial foi aumentar a taxa Selic. No último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), o tributo passou de 5,25% para 6,25% e, de acordo com o Banco Central, este aumento poderá ser ainda maior. Porém, segundo Araújo, tal medida não tem sido suficiente. “Por mais que se aumente a taxa básica de juros, não se vê um reflexo na taxa cambial”, avalia. 

Analisando estes fatores, Magda Chambriard, ex-diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e atual coordenadora de pesquisa de óleo e gás da Fundação Getúlio Vargas (FGV Energia), prevê que o cenário brasileiro quanto ao valor dos combustíveis pode piorar ainda mais. “Com o câmbio alto e com a insegurança jurídica nas instituições que temos hoje, se o petróleo aumentar de preço, a gasolina pode chegar a R$8,00 ou R$9,00” e complementa: “E não é só o preço da gasolina, mas também do diesel, do gás de cozinha, do GLP”. 

Portanto, os consumidores brasileiros devem preparar seus bolsos na hora de abastecer. Paulo Miranda, ainda, relembra que este cenário não é   negativo somente para quem compra, mas também para quem vende. “Infelizmente,todos os comerciantes do setor também perdem quando o preço está muito alto, porque todo consumidor está economizando o máximo que pode e, com isso, caem-se as vendas. Ainda que haja um aumento de demanda, esse aumento poderia ser muito maior. Porém, lamentavelmente não estamos enxergando no curto prazo a possibilidade de estabilização ou redução de preço nos combustíveis”, lamenta.

 
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