Aumento de preços, guerra e insegurança tributária: como foi o primeiro semestre no setor de combustíveis

19 de Julho de 2022

Saiba os principais fatores que influenciaram o mercado brasileiro no setor de combustíveis neste ano

Foto:Grant Durr

O ano de 2022 já começou com aumento de preços nos combustíveis nas bombas. Isso porque o mercado ainda sofre com os efeitos da pandemia, quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduziu a produção. Além disso, retomada da atividade econômica acelerada na Ásia e posteriormente em países desenvolvidos em 2021 foi acompanhada pela redução do investimento em energias não renováveis. Os fatores climáticos também entram na conta: um inverno muito frio no hemisfério norte resultou na baixa produção de energia eólica no verão, devido aos ventos fracos, em paralelo ao aumento da demanda com o fim dos períodos de isolamento na maior parte dos países.

Esses fatores, que vêm contribuindo para o aumento dos combustíveis desde então, se somam aos demais eventos que influenciaram o mercado de combustíveis ao longo deste ano. O Aprix Journal elencou os fatores que marcaram o setor no primeiro semestre deste ano e ouvimos especialistas para saber o que é esperado para os próximos meses.

 

Invasão da Ucrânia pela Rússia

A invasão da Ucrânia pela Rússia e as sanções impostas com o ocorrido levaram a uma nova crise mundial do petróleo e fizeram os preços do barril dispararem. O Brent chegou a ultrapassar US$ 100,00 após o início da guerra.


Arbitragem negativa predominou

Desde o início do ano, o preço dos combustíveis no Brasil permaneceu abaixo do valor de mercado internacional na maior parte do tempo, indicando tendência de alta aos combustíveis. Houveram dois picos significativos na arbitragem: um em março (com a guerra na Ucrânia), outro em junho (diante da pressão do governo federal sobre a Petrobras).

Variação dos valores de combustíveis 2022

Fonte: Aprix Intelligence


Precificação com duas casas decimais

Desde o dia 07/05 o preço dos combustíveis é exibido com dois dígitos após a vírgula em toda a revenda nacional, nos painéis de preço e nas bombas medidoras. A decisão faz parte da resolução 858 da ANP, um pacote de alterações que visa atualizar as regras do setor de combustíveis de acordo com novas demandas do mercado. Os combustíveis eram o único produto no Brasil a ser precificado desta maneira.


Inflação: aumento de preços e de custos

Outro evento que pressiona os revendedores de combustíveis é a inflação. “Do ponto de vista dos negócios, houve a necessidade de ampliar o capital de giro em função do aumento do produto e dos custos operacionais, tais como: aluguel e energia, taxas de cartões e juros”, comenta João Carlos Dal'Aqua, Presidente do Sulpetro.

 

A imagem mostra, sobre um fundo branco, um texto escrito em letras azul-marinho, que diz:

 

Variações tributárias e políticas

Alterações relacionadas à cobrança do PIS/Cofins e do ICMS foram apostas do governo federal para conter a alta dos combustíveis nas bombas. Com as desonerações nos combustíveis aprovadas no mês passado, preço da gasolina teve queda expressiva pela primeira vez no ano. No entanto, especialistas ouvidos pelo Aprix Journal defendem que a medida pode perder efeito a longo prazo. A limitação do imposto pode reduzir patamar final do preço, mas não interfere na volatilidade do mercado.

Mudanças na direção da Petrobras e do Ministério de Minas e Energia também sinalizaram a instabilidade do setor neste período.

 

O que esperar a partir de agora

“A inflação está retirando o poder de compra da população, mas, por ser um período eleitoral e se o novo ‘pacote de bondades’ passar, acredito que teremos um bom semestre, inclusive com aumento de consumo de gasolinas. Porém, entendo que poderemos ter sérios problemas com inadimplência relacionada ao diesel”, pontuou João Carlos Dal'Aqua, Presidente do Sulpetro. Outra questão prevista foi ele foi a dificuldade com falta de produtos e na contratação de mão de obra qualificada.

 O diesel é outro ponto de atenção para o segundo semestre. O presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araujo, considera que elevação da arbitragem representa risco de desabastecimento de combustíveis no mercado interno. “A manutenção da atual prática de preços artificiais pela Petrobras aumenta substancialmente o risco de desabastecimento no nosso país”, declarou ao Aprix Journal.

 
 
 

 

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