Como a precificação dinâmica torna os mercados mais eficientes?

03 de Junho de 2020

O preço é um pilar central para a organização da economia como a conhecemos. Nos dias de hoje, é o que determina a viabilidade dos empreendimentos humanos: se um projeto for caro demais, não acontecerá. Isso porque o preço é um número que, de alguma forma, representa o valor percebido de todas as coisas.

De acordo com a visão da macroeconomia, não precisamos precificar nada; o próprio mercado dita os preços. De fato, em linhas gerais, a “mão invisível” é boa em determinar preços. Entretanto, se olharmos para empresas individuais, vemos que tomar decisões erradas de precificação pode matar o negócio. Por isso, companhias áreas acabaram desenvolvendo, nos anos 80 e 90, os fundamentos sobre precificação que conhecemos hoje, que envolvem as teorias de revenue management (gestão de receita) e yield management (gestão de rendimento). Eles se deram conta de que passagens não vendidas eram bens perdidos para sempre, portanto começaram a variar os preços para otimizar a receita. O conceito é simples, mas os métodos são tão complexos quanto se desejar.

Com o sucesso desse tipo de metodologia nas últimas três décadas, aliado ao avanço tecnológico, vimos a precificação dinâmica avançar para outros setores. Temos aplicativos de transporte que realizam complexos cálculos para determinar a tarifa da corrida, e marketplaces com seus algoritmos travando batalhas para escolher o melhor preço para os produtos. Os mercados que são mais digitais são mais suscetíveis, pois possuem facilidade em alterar os preços e riqueza em dados para embasar os cálculos. Mas os setores da economia tradicional também vêm aderindo a precificação dinâmica - várias redes de varejo físico ao redor do mundo já utilizam Inteligência Artificial para determinar preços e promoções.

A Aprix hoje se insere principalmente no setor do varejo de combustíveis no Brasil, que é um setor com pouca exploração de dados e onde o preço tem que ser, na maioria das vezes, alterado manualmente. Também são impactantes a legislação peculiar e, muitas vezes, a falta de transparência nos preços praticados na distribuição, que dificulta modelizar a cadeia como um todo. Mesmo assim, a tecnologia de precificação pode ter um impacto tremendo no desempenho de um posto. Isso porque é um setor extremamente sensível a preço, com altos volumes de venda e margens muito apertadas: é quase como se estivesse implorando por um sistema de precificação inteligente.

Existe o mito de que a precificação dinâmica só serve para aumentar os preços, que ela seria um truque para inflar artificialmente algum setor. Observando o crescimento de empresas que estão precificando usando tecnologia, entendemos que tal percepção é equivocada. Em muitos casos de sucesso, o preço médio não aumenta, mas a receita sim. Isso quer dizer que as pessoas que são sensíveis a preço estão comprando mais barato e aquelas que se podem dar ao luxo de pagar mais, estão pagando mais caro. Nessa linha, a precificação dinâmica inteligente torna os mercados mais eficientes, beneficiando empresas e consumidores.


Compartilhe este material