Como o uso de tecnologias de precificação pelas distribuidoras impacta na vida do revendedor?

09 de Setembro de 2021
Foto: Henrique Kawaminami - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS
Após consulta da Ipiranga, Cade avalia que o uso de softwares de gestão de preços por distribuidoras não oferece risco à competitividade do setor. Porém, qual é a consequência disso para o revendedor?

Um dos temas abordados pelo último webinar organizado pela Aprix, em parceria com a ClubPetro, foi a consulta da Ipiranga Produtos de Petróleo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a licitude concorrencial da sua nova política de negociação de preços com revendedores de combustíveis. Tal política se sustenta no uso de um sistema de precificação baseado em inteligência artificial, que realiza sugestões de preço máximo que o distribuidor poderá cobrar do revendedor. 

Após avaliação em tribunal, o Cade concluiu que o uso desse tipo de tecnologia não oferece preocupação ao mercado uma vez que não reúne elementos que ponham em risco a competitividade do setor. A possibilidade de que o sistema acabe formando cartéis, por exemplo, torna-se praticamente inexistente, visto que as sugestões de preço são feitas de forma individual para cada posto vinculado à rede. Além disso, de acordo com a avaliação do Cade, a nova política da Ipiranga respeita a liberdade do revendedor para estabelecer seus preços de acordo com sua própria estratégia, pois não existem mecanismos de monitoramento e retaliação do revendedor caso este não deseje adotar a política. 

Da perspectiva jurídica, Ederson Porto, professor e advogado especialista em assessoria e consultoria jurídica, afirma que tal consulta emanada pelo Cade representa um precedente. “Até o momento, não havia nenhuma norma que regulamente a utilização de sistemas de precificação baseados em inteligência artificial pelo segmento”, explica. Dessa forma, este caso possivelmente indicará uma orientação para outros players e demais órgãos reguladores.  

Já do ponto de vista tecnológico, Guilherme Zuanazzi, diretor da Aprix, afirma que a consulta realizada pela distribuidora ao Cade representa um marco muito relevante para o setor. “Com isso, materializa-se o avanço tecnológico no segmento, essa tendência e o que está por vir”, visualiza. Para o diretor, a avaliação realizada foi muito positiva e esclarecedora. “O Conselho se mostrou aberto para a inovação e alinhado com a tendência de mercado de combustíveis mais maduros, que se vê em países mais desenvolvidos no mundo”. 

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Atualmente, o uso de inteligência artificial em sistemas de precificação de combustível já é amplamente utilizado pela revenda nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, a tecnologia tem se expandido cada vez mais desde a entrada da Aprix no mercado. Hoje, postos de combustível localizados em 18 dos 26 estados brasileiros já utilizam o software de gestão de preços desenvolvido pela startup. Proprietário do Posto Ouro Preto, localizado em Maceió, Maurício Rodrigues, cliente Aprix, é um exemplo de revendedor que tira proveito dos dados e da inteligência artificial para administrar suas estratégias de preço. “O software serve de balizador para as minhas metas, sejam elas de volume ou margem”, relata. 

Apesar do uso desse tipo de tecnologia ser cada vez mais comum pela revenda de combustível, para a distribuição configura uma novidade. De acordo com Guilherme Zuanazzi, devido ao papel bastante singular que o setor de distribuição desenvolve no Brasil dentro do mercado de combustível, o qual não se assemelha ao de outros países, o  uso desse tipo de tecnologia se torna desafiador. “As distribuidoras têm um grande desafio de construir uma solução customizada para o problema deles, específico da dinâmica brasileira, e não é um problema fácil de se resolver”, analisa. 

Além disso, outro desafio, apontado por Zuanazzi, está no alinhamento das estratégias entre distribuidoras e revendedores. “O uso de tecnologia de precificação pelas distribuidoras terá como objetivo sempre melhorar a performance da cadeia como um todo, mas principalmente das distribuidoras. Por sua vez, o uso pelos revendedores estará mais alinhado à estratégia dos revendedores”, explica. Tal divergência é vista de perto por Maurício Rodrigues, proprietário do Posto Ouro Preto. Para ele, o ideal seria que distribuidor e revendedor buscassem alinhar seus objetivos. “Às vezes o revendedor quer focar em margem e a distribuidora em volume e vice-versa”, relata.  

Justamente pelo risco de que os propósitos de cada um dos setores da cadeia de combustível não se alinhem, Zuanazzi acredita que a utilização de softwares de gestão de preço pelos postos de combustíveis acaba se tornando ainda mais essencial. “O revendedor não pode, simplesmente, dar a chave do cofre para a distribuidora cuidar e lavar as suas mãos”, alerta. 

Semelhante entendimento apresentou Henrique Carvalho, diretor operacional da ClubPetro, ao longo dowebinarorganizado em conjunto com a Aprix. Para Carvalho, é preciso olhar para o passado e analisar o relacionamento entre distribuidoras e revendedores de combustíveis, observando a formação e geração de receita dos postos. “Entendo que são informações extremamente estratégicas para serem deixadas somente nas mãos da distribuidora, principalmente no que diz respeito a qualquer sugestão de preço ao consumidor final”, opina.

 


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