Entrevista com Marcela Procópio, coordenadora de pricing do Magazine Luiza

03 de Dezembro de 2020

Marcela Procópio é formada em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e iniciou sua carreira em 2014, na Falconi Consultoria em Gestão. No ano seguinte, ingressou no Programa de Trainee do Magazine Luiza. Desde então, trabalha na área de pricing da empresa e já foi responsável pelo desenvolvimento de um novo sistema de precificação de produtos por região, permitindo flexibilidade na precificação conforme a competitividade local.

Em entrevista exclusiva ao Aprix Journal, a responsável pela gestão de preços do Magalu compartilhou suas opiniões sobre o protagonismo da tecnologia na precificação, novas estratégias para a área e o desenvolvimento de experiências omnichannel.

 

Aprix Journal - Qual é a sua visão sobre o posicionamento do Magazine Luiza na briga dos “super apps” para trazer os consumidores para dentro do seu ambiente e não perdê-los para o do lado?

Marcela Procópio — Quando Frederico Trajano assumiu a presidência, a empresa iniciou um ciclo de transformação digital. O Magalu vem se preparando ao longo desses últimos anos para ser uma plataforma digital, facilitando o acesso e o domínio do brasileiro à tecnologia. Ou seja, levar ao acesso de muitos o que é privilégio de poucos.

Assim, o super app Magalu busca cumprir o objetivo de trazer o brasileiro para a revolução digital, contendo funcionalidades de compras, serviços e conteúdo. Como exemplo, a empresa está investindo em aumentar o sortimento de produtos — é possível encontrar no Magalu de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos a itens de mercado, roupas e artigos esportivos, por exemplo — e proporcionar serviços como o Magalu Pay, um meio de pagamento integrado ao app.

 

Aprix Journal - A pandemia trouxe diversas mudanças ao processo de compra, como o aumento da procura pelo e-commerce, mas também a escassez de matéria-prima, a alta do dólar, fretes mais caros. De que forma esse cenário impacta a precificação?

Marcela Procópio — De fato, a mudança foi uma das coisas que a pandemia trouxe em peso. Com tantas mudanças, foi preciso se reinventar e agir de forma precisa, rápida e implementar as adaptações que foram necessárias.

O impacto desse cenário na precificação está diretamente relacionado à readequação de estratégias e principalmente do entendimento das novas necessidades dos clientes, sendo importante garantir a assertividade na movimentação de preços, nos acertos sobre as mercadorias oferecidas aos consumidores e na eficiência e êxito em campanhas promocionais.

 

Aprix Journal - Na Aprix, há a crença de que, com o avanço de aplicativos de compra, a vanguarda da precificação está chegando cada vez mais ao nível de indivíduo, com preços personalizados para cada usuário. Qual é a sua opinião sobre isso?

Marcela Procópio — Conhecer bem o seu consumidor, entender suas necessidades e investir na experiência do cliente são ações que considero cada vez mais importantes e decisivas para as estratégias de precificação, principalmente quando o objetivo é entregar mais valor para o consumidor.

Mas acredito que há ainda muito que se aprender em como otimizar essas informações e transformá-las, de fato, em estratégias de preço por canal, região e consumidor.

 

Aprix Journal - Como o Magalu vê a experiência omnichannel entre o aplicativo e a loja física do ponto de vista de precificação? O quão conectados eles estão?

Marcela Procópio — O Magalu é uma plataforma digital com pontos físicos e calor humano. A empresa oferece ao consumidor várias soluções e, com isso, proporciona e facilita o acesso à tecnologia. Acreditamos que a loja física e o digital estão cada vez mais conectados, haja vista que agora os clientes podem comprar com os nossos vendedores de forma remota. O Magalu oferece para os seus clientes a melhor experiência, independente da plataforma de compra, assim a precificação também vem se definindo. Hoje, por exemplo, as principais promoções já são multicanais.

 

Aprix Journal - Na sua opinião, como os processos de precificação serão impactados pelo avanço de tecnologias como Inteligência Artificial?

Marcela Procópio — A Inteligência Artificial é uma forma proativa para tomada de decisões, por exemplo, procurando padrões no comportamento do cliente e ofertando uma série de opções para alcançar um determinado objetivo.

Sendo assim, os processos de precificação podem ser impactados pela Inteligência Artificial na medida em que são criados algoritmos que otimizam a formação de preço. Tecnologias como Machine Learning possibilitam que esses algoritmos melhorem a sua performance sucessivamente, trazendo recomendações cada vez mais assertivas e movimentando os preços conforme as diferentes variáveis.

É importante destacar que é fundamental investir e garantir a qualidade dos dados e informações para que, em conjunto com a melhor tecnologia, as decisões sejam tomadas de forma assertiva.

 


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