Mudanças na Petrobras e no MME não devem afetar o preço dos combustíveis, avalia IBP

24 de Maio de 2022

Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Diesel e gasolina mantêm tendência de alta nos preços, mesmo após reajustes, de até 8,86%

Nesta segunda-feira (23), o governo demitiu o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, que estava há 40 dias no cargo. O nome indicado para assumir sua posição é Caio Paes de Andrade, que ainda precisa ser aprovado pelo Conselho de Administração da estatal. Esta foi a terceira troca na presidência da Petrobras durante o governo de Jair Bolsonaro, todas motivadas por elevação no preço dos combustíveis.

A substituição do presidente da Petrobras acontece após a nomeação de Adolfo Sachsida para o Ministério de Minas e Energia, após a exoneração de Bento Albuquerque, em 11 de maio. Sachsida e Andrade são membros da equipe econômica de Paulo Guedes.

A principal pauta do novo ministro à frente da pasta é a privatização da Petrobras e da Pré-Sal Petróleo S.A. “Meu primeiro ato como ministro é solicitar ao ministro Paulo Guedes, presidente do Conselho do PPI [Programa de Parcerias para Investimentos], que ele leve a inclusão da PPSA no PND [Programa Nacional de Desestatização], para avaliar as alternativas para sua desestatização. Solicito também o início dos estudos tendentes à proposição das alterações legislativas necessárias à desestatização da Petrobras”, discursou Sachsida, no dia de sua posse.

O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Eberaldo Almeida, considera que as movimentações em torno do setor de energia brasileiro não devem ter efeitos significativos nos preços dos combustíveis no país. "É importante reforçar que a formação do preço dos combustíveis ocorre mediante os movimentos de oferta e demanda no mercado global. Portanto, a troca no comando de qualquer empresa que atua no país não tem impacto nos preços do petróleo e derivados”, declarou.

Guedes defende que o aumento de preço respeite um período de espaçamento, que pode chegar até 100 dias, para amenizar a volatilidade do mercado. No entanto, para Almeida, a preservação da prática de preços de mercado no Brasil é importante para manter o mercado abastecido e para a atração de investimentos no setor. A Petrobras fornece um terço dos combustíveis utilizados em veículos leves (ciclo Otto); outros dois terços são supridos por refinadores privados, produtores de etanol, importadores, e outros. “Esses agentes necessitam que os preços acompanhem o mercado para que continuem a abastecer o mercado nacional”, declarou o presidente do IBP.

Além do preço do petróleo no mercado externo, outros fatores que impactam os preços são os tributos e o câmbio. “O remédio é perseguir a simplificação tributária e a atração de investimentos, algo só conseguido se trilharmos um caminho de segurança jurídica e governança que reflitam positivamente no ambiente de negócios brasileiro", declarou Almeida.

 

Combustíveis derivados do petróleo mantém tendência de alta mesmo após reajustes

O mercado de combustíveis brasileiro enfrenta instabilidade desde o início deste ano. Com o início da guerra na Ucrânia, o preço da gasolina comum na refinaria foi de R$ 3,25 para R$ 3,86, em 11 de março. Quanto ao diesel, que, no mesmo período, passou a custar R$ 4,50 (R$ 0,89 acima do preço praticado anteriormente), subiu para R$ 4,92 em 11 de maio, uma alta de 8,86% após dois meses sem reajustes.

Apesar da elevação, a arbitragem calculada pela Aprix indica que há tendência de alta no preço do diesel desde 13 de abril e, da gasolina, desde 26 de abril (conforme o gráfico abaixo). Em abril, os preços na bomba para a gasolina aumentaram 2,9% e, para o diesel, 4,8%. O maior preço médio da gasolina nas distribuidoras chegou a R$ 7,42, em 28 de abril.

Fonte: Aprix Intelligence

 

 

Os reajustes afetam especialmente a categoria de transportadores autônomos, que chegaram a cogitar uma nova greve dos caminhoneiros, semelhante à realizada durante o governo de Michel Temer, no último sábado, 21 de maio — data em que a greve completou quatro anos. “Se não dermos um basta agora, vamos parar gradativamente, porque não temos mais condições de rodar”, disse o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão.

A alta nos combustíveis tem pressionado a inflação, que já acumula uma alta de 4,29% só neste ano — e, nos últimos 12 meses, de 12,13% — segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A projeção do mercado é de que o IPCA feche o ano em 7,89%. De acordo com o Banco Central, a meta de inflação deve superar pelo segundo ano consecutivo a meta federal, estipulada em 3,5% para 2022.

 

 

 A imagem mostra, sobre um fundo branco, um texto escrito em letras azul-marinho, que diz:

 

 

 



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