O enfrentamento da pandemia pelos postos de combustível: de março de 2020 aos dias atuais

20 de Julho de 2021

Confira como o setor de combustíveis tem enfrentado a instabilidade econômica em termos de volume vendido e preços praticados

Além do inquestionável abalo de ordem epidemiológico ocorrido em escala global, gerando o adoecimento e a morte de milhões de pessoas em todo o mundo, a pandemia de Covid-19 trouxe inúmeros desafios a diversos setores da economia mundial. Este foi o caso da revenda de combustíveis. Em razão do lockdown decretado em centenas de países, a quantidade de pessoas e veículos em circulação reduziu abruptamente. Desde então, já se passou um pouco mais de um ano e o cenário se mostra diferente, porém ainda reflete o impacto da pandemia.


Ao longo deste período, a Aprix tem acompanhado a evolução do volume de combustíveis vendidos, bem como a dinâmica de preços por combustível, região, distribuidora, entre outros recortes. Esse acompanhamento tem sido feito a partir do monitoramento de mais de 10 mil postos distribuídos em todos os estados brasileiros e também no Distrito Federal. Diariamente, a startup coleta ao redor de 53 mil preços de forma automática. Com base neste material, o Aprix Journal realizou uma análise do desempenho da revenda desde o início da pandemia de coronavírus no Brasil até os dias atuais. Confira:


Performance do volume de vendas
O primeiro caso de coronavírus identificado no Brasil foi registrado no dia 26 de fevereiro, na capital paulista. Apenas duas semanas depois, no dia 13 de março, já se haviam confirmado outros 89 casos e 1 falecimento. Esse dia marcou o início de uma trajetória de queda acentuada nas vendas totais de combustível. Conforme dados registrados no relatório desenvolvido pela Aprix e o ClubPetro, a perda nos volumes vendidos chegou a 40% no país durante o mês de março de 2020. As regiões norte e centro-oeste foram as primeiras a apresentar sinais de queda expressiva de volume. A última região a apresentar redução na demanda foi o nordeste, porém também foi a mais afetada, chegando a sofrer reduções na ordem de 40% da demanda.

Dentre os produtos avaliados na pesquisa, o diesel foi o combustível menos afetado em seu volume de vendas, o que pode ser explicado pelo período de safras que o Brasil estava passando. Sua maior queda registrada foi de -18%. Já o etanol foi o mais afetado, chegando a apresentar uma queda de -58% do volume de vendas, em comparação com a primeira semana de março. A gasolina comum vem em segundo lugar com a maior redução no volume de vendas, tendo sido registradas taxas de -52% em dois dias consecutivos, no penúltimo e antepenúltimo dia de março. Analisando o impacto do volume vendido pelas revendas de combustíveis no país inteiro, identifica-se que ocorreu uma primeira fase da queda contínua de volume total até dia 30 de março, quando foi atingido a mínima de -62% comparando com a primeira semana do mês.


Após duas quedas bruscas registradas nos dias 28 de março e 18 de abril, observa-se que a partir do dia 25 de abril houve uma retomada no crescimento do volume de vendas no Brasil. Em maio, tanto o diesel como a gasolina comum já davam sinais de estabilização da sua recuperação. No dia 24, o diesel fechou com apenas -25% de queda e a gasolina comum com -46%. O etanol, no entanto, apresentou estabilização apenas nas últimas duas semanas de junho, após romper a barreira dos -50% no dia 8.


Evolução do volume de vendas total do dia 09 de março de 2020 ao dia 13 de junho de 2021. (Gráfico: Aprix)

Levando em consideração o volume agregado dos três combustíveis em conjunto com o GNV, identifica-se que os valores voltaram a atingir a marca de 0 pontos percentuais, igualando-se aos volumes pré-coronavírus, apenas no início de outubro. A fase de recuperação durou, portanto, em torno de sete meses. Na última semana de novembro, a média móvel do agregado já fechava positiva em 3%. Porém, desde o final de dezembro, o volume agregado da gasolina, diesel, etanol e GNV tem apresentado taxas negativas, sendo a pior média móvel registrada em março deste ano, com -17%. Em abril, o volume do agregado voltou a apresentar sinais de recuperação, porém o último volume de vendas registrado neste mês de julho ainda é -9%, sendo, portanto, inferior ao registrado no período pré-crise. Cabe ressaltar que esta taxa só não é mais baixa pois o diesel mantém uma variação positiva em seu volume em relação ao período anterior à pandemia de Covid-19. Na primeira semana de julho, por exemplo, o combustível fechou em 13%, apresentando o melhor nível de recuperação, enquanto a gasolina comum fechou em -9% e o etanol em -37%.


Realizando uma análise do volume de vendas por região, observa-se uma recuperação lenta. Em junho, pela primeira vez desde março de 2020, um estado brasileiro igualou seu volume ao período anterior à pandemia de Covid-19. De acordo com os relatórios de inteligência desenvolvidos pela Aprix, em que são analisados quatro estados brasileiros, Goiás chegou ao patamar de 0 pontos percentuais. Porém, tal conjuntura não se manteve, pois o estado iniciou o mês de julho com -7%. O Rio Grande do Sul vem em segundo lugar com o melhor nível de recuperação, ao fechar o dia 04 deste mês com -9%. Fechando a data em -12%, o Rio Grande do Norte ocupa o terceiro lugar no ranking. Com o pior nível de recuperação, São Paulo fechou a data em -22%.


Goiás representa o estado com o melhor nível de recuperação em seu volume de vendas. (Gráfico: Aprix)


Dinâmica de preços
Em conjunto com a queda na demanda de combustíveis provocada pelas medidas de isolamento social em razão da pandemia de Covid-19, a crise do petróleo representou outro fator que ocasionou a queda brusca de preços entre os meses de março e abril de 2020. Na época, a Arábia Saudita havia sugerido um acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) para reduzir a produção do combustível fóssil, tendo em vista que a pandemia de coronavírus causaria uma diminuição na demanda. Assim, os preços acabariam não sendo tão impactados. Porém, a Rússia rejeitou o acordo e, como resposta, a Arábia Saudita aumentou a produção e ofertou barris com descontos. Tal comportamento resultou na maior queda no preço do barril de petróleo desde 1990, durante a Guerra do Golfo.

A partir do dia 20 de abril de 2020, a gasolina comum, o etanol e o diesel apresentaram uma redução superior a 50 centavos no preço médio. (Gráfico: Aprix e ClubPetro)


Nesse contexto, a Petrobras anunciou a queda de preços da refinaria. Como consequência, a gasolina comum, o etanol e o diesel apresentaram uma redução superior a 50 centavos no preço médio, a partir do dia 20 de abril de 2020. Dentre estes combustíveis, a gasolina comum apresentou a maior redução, ao subtrair mais de 70 centavos em seu valor. Após um pouco mais de um mês, no dia 24 de maio, observou-se um tímido aumento de 5 centavos nos preços da gasolina comum. Um acréscimo mais significativo ocorreu somente ao final de junho, em que o valor do combustível passou a custar 22 centavos mais caro. Já os preços do diesel permaneceram em queda até o final de agosto, quando foram adicionados 7.1 centavos ao seu valor.

De setembro de 2020 a junho de 2021, o preço médio da gasolina comum aumentou R$1.092 e do diesel, R$1.042. (Gráfico: Aprix)

Desde então, o preço só tem aumentado. Conforme registros dos relatórios desenvolvidos pela Aprix, o preço médio em todo país da gasolina em setembro de 2020 era de R$4.453, enquanto do diesel era de R$3.616. Já em 04 de julho de 2021, o preço médio da gasolina é de R$5.799 e do diesel, R$ 4.626. Respectivamente, tal variação representa um acréscimo de R$1.346 e R$1.010.

 

PPI Valores de combustíveis mercado nacional e internacional Aprix março 2022

 



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