Os impactos da nova especificação da gasolina automotiva

13 de Agosto de 2020

Desde o último dia 3 de agosto, começou a valer em todo o Brasil a nova especificação da gasolina automotiva, determinada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) na Resolução nº 807/2020. Na prática, as distribuidoras ainda têm um prazo de 60 dias para substituir o seu estoque e os revendedores, 90 dias.

Esse assunto já vinha sendo debatido há bastante tempo, mas agora com a sua efetivação tem ganhado notoriedade na mídia. Mas afinal, quais são as mudanças e quais são os impactos gerados por elas?

Primeiramente, agora a gasolina tipo C passa a ter uma massa específica, ou densidade mínima de 715 kg/m³. Esse parâmetro impacta diretamente na quantidade de energia que cada litro de gasolina tem. Isso por si só deve ser responsável por melhorar o consumo dos veículos na ordem de 6%, já que uma mesma quantidade de gasolina gerará mais energia. Outra vantagem desta norma é que será mais fácil identificar adulterações no combustível, uma vez que essas outras substâncias usadas tendem a ter uma densidade inferior, causando uma diminuição da massa específica; reprovando então no teste de densidade.

A octanagem, que indica a resistência à combustão, também tem novidades. A resolução agora introduz um valor mínimo no indicador RON (research octane number ou método de pesquisa, calculado com rotações baixas do motor) para o combustível, alinhando-se ao padrão europeu. Anteriormente, o Brasil tinha apenas limites para o MON (calculada com giro alto) e para o IAD (a média entre RON e MON). Com esse novo parâmetro, abrirá mais espaço para as montadoras ajustarem os motores com mais precisão, permitindo que nos modelos novos extraia-se desempenhos melhores.

O que ocorre hoje em dia é que, como as empresas não podem confiar tanto na octanagem RON do combustível no Brasil, elas utilizam uma margem de segurança maior, para evitar prejudicar a vida útil do motor, em detrimento do desempenho. No entanto, mesmo em veículos usados, é possível que a eletrônica dos motores flex que já rodam por aí possam automaticamente reconhecer a melhor octanagem e se adaptar ao novo padrão.

Em termos numéricos, a gasolina comum terá um limite mínimo de 92 octanas (aumentando para 93 em 2022). A Petrobrás inclusive anunciou que sua gasolina já está adequada com o nível de 2022!

Por último, foi ajustada a curva de destilação da gasolina, para que ela seja menos volátil, o que permite um funcionamento mais uniforme dos motores.

Com essas mudanças na qualidade, também haverá um impacto no preço do combustível, uma vez que ele é mais caro de se produzir e tem um valor mais alto no mercado internacional. Contudo, a própria Petrobrás espera que, ao se considerar o ganho de eficiência, o custo empata com o atual, ao mesmo tempo que terá menos emissões de poluentes.

Ainda é muito cedo para sabermos exatamente em quantos centavos de aumento nas bombas de combustível isso se traduzirá. Provavelmente será difícil isolar o efeito dessa mudança no preço, uma vez que o preço do combustível está inserido num contexto complexo, com variação do preço do petróleo, variação da taxa cambial e custo de frete.

No fim do dia, então, essa nova regulamentação é bastante positiva, dando ao brasileiro acesso a um combustível com qualidade melhor, alinhada aos padrões de países desenvolvidos e, principalmente, menos poluente.


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