Por que o preço dos combustíveis está aumentando?

21 de Junho de 2022

Foto: Engin Akyurt

Arbitragem dos combustíveis atingiu terceiro pico de 2022 antes do aumento de 14,25% no diesel e de 5,2% na gasolina

Após negar pedidos do governo federal para conter o preço dos combustíveis, a Petrobras anunciou o reajuste de 14,25% no diesel e de 5,2% na gasolina, na sexta-feira (17). Antes do reajuste, havia tendência de alta no preço do diesel desde 13 de abril e, da gasolina, desde 26 de abril. A defasagem do diesel atingiu -R$ 1,28 em 15 de junho, e, a gasolina, -R$ 1,26 a segunda maior alta na arbitragem do ano. O maior pico foi registrado em 8 de março, quando houve alta no barril de petróleo como consequência do início da guerra na Ucrânia.

O reajuste anterior, que aumentou em 8,86% o preço do diesel, precedeu a queda nas vendas no mês de maio. Por outro lado, a elevação da arbitragem contribui para o risco de desabastecimento de combustíveis, devido à competitividade com o mercado internacional.

A escalada dos preços preocupa revendedores. Maxwell Flor de Oliveira, CEO da Rede Amigo, no Rio Grande do Norte, e presidente do Sindipostos-RN, afirma que os reajustes resultam diretamente na queda das vendas e na redução das margens. Isso ocorre porque a concorrência se torna mais acirrada, o que impede que os revendedores repassem integralmente os reajustes. "Outro problema que deve ser levado em conta são os reajustes pontuais feitos pelas distribuidoras, independentes da Petrobrás, que normalmente são em percentuais menores, que dificilmente são repassados para a bomba, e acaba reduzindo nossa margem", declara.

 

 

Fonte: Aprix Intelligence


Em contrapartida, o governo federal busca adotar medidas como a redução do ICMS para tentar conter a crise. "Esperamos que as medidas paliativas que estão tramitando no Congresso Nacional, para reduzir a carga tributária nos combustíveis, possam amenizar um pouco essa crise que o setor está passando", declara Oliveira.

A tensão causada pelo aumento provocou o pedido de demissão precoce de José Mauro Coelho, presidente da Petrobras. Coelho já havia sido demitido pelo governo federal, e aguardava a conclusão do processo sob críticas do presidente Jair Bolsonaro à política de preços da companhia.

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), representante institucional da indústria, posicionou-se em nota contra o controle de preços na cadeia de abastecimento. “O preço do combustível não é uma variável de escolha de uma determinada empresa, mas, sim, o resultado da oferta e da procura global, por ser o combustível um bem de consumo comercializado mundialmente”, diz o texto.

 A imagem mostra, sobre um fundo branco, um texto escrito em letras azul-marinho, que diz:  

O que está causando o aumento contínuo do preço dos combustíveis?

O aumento dos preços das commodities ocorre em todo o mercado global, não apenas com os combustíveis, mas também com outros produtos tais como trigo, carne, minérios e fertilizantes. O economista Maurício Weiss, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), elenca alguns dos principais fatores que estão encarecendo os combustíveis derivados do petróleo:

PPI: A opção pela adoção da paridade de preço internacional pela Petrobras, feita a partir de 2016, ainda no governo Temer, e mantida no governo Bolsonaro. Essa política de preços usa os custos de importação como base para o cálculo do preço de combustíveis, e, por isso, é altamente influenciada pelo mercado externo.

Guerra na Ucrânia: O conflito entre a Rússia e a Ucrânia deve continuar afetando o mercado internacional de combustíveis. "EUA estão precisando aumentar a oferta para a Europa para compensar a redução da importação da Rússia, reduzindo a oferta para outros países, especialmente no que tange derivados do petróleo", explica Weiss;

Redução da produção da Opep durante a pandemia: a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduziu as atividades em decorrência dos efeitos da pandemia (preços chegaram a ser negativos no contrato futuro de curto prazo) e mantém um plano de lento aumento de produção, com a justificativa de temor de uma quarta onda. Em 2022, o plano está ligado principalmente ao conflito na Ucrânia e as sanções à Rússia, importante fornecedor de petróleo, gás e combustíveis;

Efeitos do inverno no hemisfério norte: um inverno muito frio resultou na baixa produção de energia eólica no verão, devido aos ventos fracos. Em paralelo, houve aumento na demanda ocasionada pelo consumo pós-pandemia. Tarefas de manutenção nas plantas russas e norueguesas de gás-natural também contribuem para este cenário;

Variação internacional em 2021: foi um conjunto de fatores. Retomada da atividade econômica acelerada na Ásia e posteriormente em países desenvolvidos foi acompanhada pela redução do investimento em energias não renováveis (que ainda respondem a 80%). "Infelizmente incentivos à energia renovável (carros elétricos, energia solar) beneficiam mais as classes altas", pontua o especialista.

 



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