Por que os postos de combustíveis não se beneficiam com o aumento no preço da gasolina?

15 de Outubro de 2021

Nos últimos dois meses, o preço da gasolina passou a marca de R$7 por litro em diversas cidades brasileiras. Em Fernando de Noronha, o combustível chegou a ser cobrado por R$9,10, nesta segunda semana de outubro. Nesse contexto, é compreensível que, ao abastecer seus veículos, os consumidores finais acreditem que os maiores beneficiados do aumento no preço da gasolina sejam os revendedores. 

 

Um levantamento realizado pelo Kelley Blue Book (KBB) Brasil, plataforma especializada em pesquisa de preços de automóveis, verificou que, anualmente, um brasileiro roda em média 12.900 km. Além disso, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2020, apesar da redução de 6% no consumo de combustível, os brasileiros gastaram, em média, R$6,5 mil em combustível. Tal valor corresponde a um consumo de 1,3 mil litros por ano. Todos estes dados levam à conclusão de que, ainda em tempos de instabilidade econômica, a revenda de gasolina representa um setor lucrativo. Porém, analisando o que acontece por trás da bomba, verifica-se que esse cenário está longe de ser verdadeiro. 

 

 

 

Saber a quem pertence a grande maioria dos postos de combustíveis brasileiros representa o primeiro passo para entender a situação econômica da revenda. Com marcas comerciais tão distintivas, é natural que esta propriedade seja conferida às empresas produtoras de petróleo ou distribuidoras, como a Petrobras, Ipiranga, Raízen, Ale, por exemplo. Entretanto, os levantamentos realizados pela ANP mostram que, apesar dos grandes nomes, estas marcas representam uma pequena parcela da maioria dos postos, no Brasil. 

 

Em setembro de 2021, a ANP verificou que, das 42.165 mil unidades de abastecimento, 47,5% são de bandeira branca, ou seja, operadores independentes. As produtoras de petróleo e distribuidoras dividem entre si, então, um pouco mais de 50% do total: a Petrobras detém uma parcela de 16,4% do mercado; a Ipiranga, de 12,9%; a Raízen, de 11,1%; a Ale, de 2,6%; e outras marcas, de 9,5%. Sendo assim, os pequenos e médios empresários representam os principais proprietários da revenda. 

 

Outra questão importante a se levar em conta está relacionada com a margem bruta média dos postos revendedores de combustíveis. De acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), ao longo dos últimos dez anos, houve uma queda de 40% na margem da revenda. Hoje, as margens da revenda estão, em média, no Brasil, em 9,8%. Por outro lado, nas capitais, a Fecombustíveis aponta que chega a 5%. 


Isso significa que, quando o consumidor chega a pagar R$7 pelo litro da gasolina, apenas R$0,35 será destinado à revenda, nas capitais. Deste valor, segundo a Série Formação de Preços de Combustíveis, descontam-se os custos com estrutura, mão de obra, seguro, custos legais, tributos, dispêndios regulatórios. O restante dos R$7, conforme explica a página oficial da Petrobras, se deve à distribuição, ao custo do etanol anidro, ao ICMS, aos impostos federais e ao preço realizado pela petroleira.

 


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