Posto de combustíveis ou posto de serviços?

30 de Novembro de 2020

A resposta, até pouco tempo atrás, poderia parecer óbvia para muitos leitores: posto de combustíveis — ou de gasolina, se preferirem.

Mas os tempos mudaram. Bem antes da pandemia, já havia sinais bons e claros de que o posto não conseguiria sobreviver, financeiramente falando, se vendesse somente combustíveis ou gasolina.

Após a abertura do mercado de combustíveis, em meados de 1997, os sinais pararam e viraram evidências de que, com a quebra do monopólio da estatal, haveria consequências para o varejo de combustíveis e conveniência no Brasil, uma boa e outras nem tão boas assim.

Vamos primeiro à boa: a liberdade do revendedor para poder ser bandeira branca ou marca própria, como muitos preferem hoje em dia, ficando livres das “garras” de contratos leoninos que somente as grandes distribuidoras ganhavam.

As ruins foram, em um primeiro momento, sonegação de impostos, adulteração de combustíveis e liminares que fizeram uma diferença de até R$ 0,30 entre as distribuidoras novas e as tradicionais.

De lá para cá, o mercado melhorou em muitos aspectos. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o índice médio de conformidade dos combustíveis para o ano de 2019 foi de 97,60%. Um bom indicador para a qualidade do produto vendido.

Mas em relação à margem de venda dos postos, a coisa mudou (e muito) para pior, se considerarmos que antes da abertura do mercado um posto poderia ter até 17% na margem bruta de combustíveis e, hoje, se tiver 8%, pode comemorar.

Vários fatores contribuíram para isso: a quantidade de postos existentes (segundo o anuário da ANP de 2020, são 40.970), o mercado concentrado em três grandes distribuidoras e a falta de gestão profissional em muitos postos.

Sem a margem bruta para ao menos realizar seu ponto de equilíbrio, os postos que não oferecerem “serviços” e produtos agregados terão grande dificuldade de sobrevivência em mercados marcados por guerras de preço, concorrência desleal e excessos de oferta.

Em teoria, os postos têm uma localização muito boa, ocupando os melhores pontos ou as melhores esquinas, hoje chamadas de esquinas mágicas por poderem concentrar uma grande possibilidade de ofertas ao cliente final com serviços e facilidades como loja de conveniência, troca de óleo, pequenos reparos automotivos, farmácia, lavanderia, floricultura, bicicletário, oficina de bicicletas — enfim, cabe muita coisa em um posto de serviços.

Assim, vejo que mesmo os postos de serviços passam por uma mudança e em breve não serão nem mais chamados de postos de serviços, talvez centros comerciais — mas isso é assunto para outro artigo.

Por Marcelo Borja, especialista em treinamentos, capacitação e desenvolvimento de conteúdo para postos de combustíveis, lojas de conveniência e distribuidoras.

 


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