Precificação com duas casas decimais visa eficiência do mercado de combustíveis

26 de Abril de 2022

Preço dos combustíveis passa a ter duas casas decimais a partir de maio, conforme determinação da ANP. Foto: Krzysztof Hepner


A partir de 7 de maio, o preço dos combustíveis será exibido com dois dígitos após a vírgula em toda a revenda nacional, nos painéis de preço e nas bombas medidoras. A prática irá adequar a precificação por litro dos combustíveis ao padrão de todos os demais produtos comercializados no Brasil. O Gás Natural Veicular (GNV), que é medido em metros cúbicos, não em litros, também deve seguir a regra.

Para isso, os postos precisaram realizar ajustes na bomba e na placa informativa, além da adaptação nas configurações do sistema de precificação. Em alguns modelos de bombas, o próprio revendedor pode retirar a terceira casa decimal. Outros equipamentos precisam de manutenção autorizada e substituição de lacres, o que demanda tempo e alto custo, ou não permitem a retirada do último dígito. Nesses casos, a ANP permite a utilização do zero na terceira casa decimal, conforme sugestão proposta pela Fecombustíveis.


O que muda na precificação?

O cálculo de preço com três dígitos decimais acontece desde a compra dos combustíveis pela revenda, já que as unidades de medida são diferentes: a negociação entre a distribuidora e o revendedor é feita em metros cúbicos (m³), enquanto a venda ao consumidor é feita em litros (l). Manter a última casa, portanto, manteria a transparência na conversão das medidas.

Renan Miranda, proprietário de um posto em Uberlândia (MG), entende que a mudança não irá interferir na decisão dos preços, apenas na margem de lucro do posto. “Comercialmente, esse dígito não vai ter um impacto muito relevante, que vá ocasionar um aumento ou uma queda de vendas”, pondera. 

Desse modo, a precificação com duas casas decimais também facilita o entendimento de quem consome, já que o preço real a ser pago pelo litro de combustível será o mesmo exibido na placa informativa. “Eu não enxergo impacto significativo para o consumidor na alteração das duas casas”, diz Renan.

 

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Mudança que gera eficiência

A decisão faz parte de um pacote de alterações que visa atualizar as regras do setor de combustíveis de acordo com novas demandas do mercado. O conjunto de medidas foi adotado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na resolução n° 858, de 5 de novembro de 2021. As novas regras, discutidas a partir da greve dos caminhoneiros de 2018, teriam o objetivo de garantir o abastecimento e aumentar a eficiência do mercado, de acordo com a ANP.

A mudança também prepara a revenda nacional para os constantes aumentos de preços. Em um cenário em que o litro da gasolina supere os R$ 10,00 — o que já acontece em Fernando de Noronha, onde se vende a gasolina mais cara do Brasil — os postos não precisarão trocar os equipamentos, por exemplo, já que as bombas exibem apenas quatro dígitos.

Outra novidade foi a regulamentação do delivery de combustíveis, que poderá ser realizada com autorização específica da ANP e restrito aos limites do município em que se encontra o posto. Antes, a atividade estava restrita ao etanol hidratado e gasolina C.

Também houve alteração quanto à tutela de fidelidade à bandeira. As novas regras determinam que cada bomba medidora deve informar, de forma destacada e de fácil visualização, o CNPJ, a razão social ou o nome fantasia do distribuidor fornecedor do respectivo combustível.

 
 

 

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