Tarifa dinâmica de preços abre caminho no segmento de postos de combustíveis

18 de Novembro de 2019

A ideia não é nova, mas as ferramentas evoluíram muito e há agora mais abertura por parte dos revendedores para abraçarem a Inteligência Artificial na formação dos preços dos combustíveis.

Em Los Angeles, a cidade com pior congestionamento de tráfego do mundo, é frequente ver bombas de gasolina em lados opostos da estrada rivalizarem com preços vastamente diferentes. Uma tem desconto com compra de lavagem do carro, a outra é mais competitiva no combustível premium, e por vezes a diferença é de 30 centavos ou mais por galão, que equivale a 3,78 litros. Acrescentando os cartões de fidelização, a penalização por usar cartão de crédito ou a bonificação por pagar com dinheiro, uma ida ao posto de combustível da direita pode ter um preço final muito diferente do que é oferecido no posto da esquerda.

Também há que ter em conta os serviços e produtos associados: um posto até pode ter a gasolina mais barata, mas lá dentro um café e uma torrada custam o dobro que na bomba com combustível mais caro.

Como são tomadas estas decisões? Quantos consumidores são sensíveis a estas diferenças? Haveria impacto significativo se os postos de combustível tivessem preços mais dinâmicos, adaptados aos altos e baixos da procura?

É isso que o mercado poderá descobrir já no próximo ano, quando a tecnológica brasileira Aprix começar a testar a sua solução de formulação de preços com inteligência artificial em Portugal. A empresa especializou-se no segmento de vendas de combustíveis porque, segundo explicou o CEO, Guilherme Zuanazzi, o perfil deste mercado é “totalmente dependente de precificação, com altos volumes de vendas, baixa margem de lucro e procura extremamente sensível às flutuações do preço”.

A Aprix está a solidificar a sua tecnologia no mercado brasileiro, tendo como clientes algumas das maiores redes de postos de combustíveis do país. “A Aprix nasceu voltada ao varejo de combustíveis com a convicção de que existe muito valor sendo deixado na mesa pelas empresas do setor, especialmente por não conseguirem traduzir de forma estruturada as definições estratégicas nas políticas de precificação”, explicou o CEO.

Os resultados obtidos pelas empresas que usam o produto da Aprix comprovam. “Ao observarmos a performance dos postos que utilizam o Precificador Aprix, o aumento médio de lucratividade chega a quase 10%”, revela Guilherme Zuanazzi. “Para um setor de margem apertada (≈5%) e alto giro, uma melhoria dessa ordem significa bastante valor gerado”, frisa.

Como funciona? Não é software de comparação com a concorrência nem de análise simples de oferta e procura. As ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML), que deram um salto considerável nos últimos anos, permitem treinar algoritmos para preverem o comportamento dos consumidores quando um preço é alterado. Fazem recomendações de subida ou descida e têm em conta diversos fatores, desde a meteorologia até o comportamento dos detentores de cartões de fidelização na última semana.


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