Tratando-se de tecnologia em nuvem, o céu é o limite?

09 de Junho de 2021

Foto: Dou Sha/Unsplash

Para além das nuvens no céu, a computação em nuvem tem moldado nossas vidas em proporções cada vez maiores

Mas o que é exatamente a computação em nuvem? Esta é uma pergunta que, sem dúvida, a grande maioria das pessoas têm se feito nos últimos tempos à medida que cada vez mais serviços, que antes costumavam ser feitos dentro do espaço de trabalho disposto em nossos computadores pessoais e dispositivos móveis, agora se encontram “na nuvem”. O conceito dessa ferramenta está altamente vinculado a outra tecnologia que já estamos muito bem familiarizados: a internetPode-se dizer que se a internet é uma rede global de computadores conectados entre si, permitindo com que informações sejam buscadas e compartilhadas por qualquer pessoa do mundo e a qualquer hora, a nuvem representa a principal forma de armazenar e processar os dados que circulam por essa rede.

 Ilustração: Thomas Kuhlenbeck

Ilustração: Thomas Kuhlenbeck

A breve história da computação em nuvem

Não é à toa que uma tecnologia esteja tão vinculada à outra. A idealização da computação em nuvem ocorreu em paralelo com a criação da internet. Por volta de 1955, os computadores eram tão grandes quanto caros, portanto, nem todas as empresas tinham condições de pagar por um. Pensando em uma solução para este problema, John McCarthy — o mesmo cientista da computação que criou o termo “inteligência artificial” — desenvolveu o conceito de time-sharing (compartilhamento de tempo, em inglês). De acordo com a ideia de McCarthy, ao invés de realizar um alto investimento para adquirir seu próprio computador, os usuários poderiam alugar o direito de utilizar o poder computacional de um computador em comum e dividir os custos entre si.

Alguns anos mais tarde, em 1963, essa ideia se ampliou com a “Rede Intergaláctica de Computadores”, um conceito muito semelhante ao que hoje conhecemos como internet. Idealizada pelo também cientista da computação Joseph Licklider, a teoria sustentava o estabelecimento de uma conexão entre computadores instalados em diferentes locais físicos. A princípio primordial desta conexão seria que ela estaria disponível para ser utilizada a qualquer hora do dia e em qualquer lugar do mundo. Tais preceitos de acessibilidade e disponibilidade presentes em sua definição estavam altamente alinhados aos principais princípios também da computação em nuvem.

A nuvem, no entanto, ganhou este nome somente em 1997, quando o professor de sistemas de informação Ramnath K. Chellappa utilizou o termo para definir um “paradigma de computação em que seus limites serão determinados pela lógica econômica, não apenas pelos limites técnicos”. Além da inspiração no símbolo que na época já estava vinculado à interneta ideia do nome se deu pelo fato da nuvem representar algo que está no ar e que, portanto, não ocupa espaço físico.

 

Ilustração: Anirban Ghosh

Ilustração: Anirban Ghosh

Uma nuvem de possibilidades

O desenvolvimento da tecnologia em nuvem tornou possível processar dados, armazenar arquivos e acessar softwares totalmente de forma remota, ou seja, sem a necessidade de realizar estas ações dentro dos limites de um computador pessoal, dispositivo móvel ou servidor local. Ao permitir, portanto, que se faça mais com menos e ainda em tempo real e em qualquer lugar do mundo, essa tecnologia apresenta o grande benefício de potencializar a nossa capacidade de computação.

Dessa forma, além das nuvens no céu que pairam sobre as nossas cabeças, tornando o dia nublado quando se encontram em grande quantidade ou fazendo chover conforme a umidade do ar, a nossa realidade tem sido moldada em proporções cada vez maiores também pelas nuvens digitais. Hoje, esta tecnologia está presente em grande parte das atividades que realizamos online, desde no trabalhos realizados no Google Docs e salvos automaticamente no Google Drive, nas playlists criadas no Spotify, nas conversas com os amigos nas redes sociais, até mesmo nas fotografias e selfies que armazenamos no iCloud.

Mas a nuvem não está apenas simplificando a vida da sociedade contemporânea, ela pode na verdade também estar salvando vidas. O projeto “Visualise No Malaria” (Visualize Nenhuma Malária, em inglês) liderado pela Tableau, empresa estadunidense de software para visualização de dados, e pela PATH, organização sem fins lucrativos focada na equidade do acesso à saúde, está usando análises em tempo real baseadas na nuvem para ajudar o governo da Zâmbia a erradicar a malária. A partir de tecnologias de mapeamento, dados geoespaciais e algoritmos, os profissionais de saúde do país podem criar mapas que os auxiliem a identificar áreas onde provavelmente ocorrerá uma grande reprodução de mosquitos e, por conseguinte, terá mais chances de sofrer com surtos da doença. Dessa forma, o sistema permite que medidas de prevenção sejam adotadas antes que seja tarde.

Semelhante sistema também foi desenvolvido sob coordenação do geógrafo e cientista de sensoriamento remoto da Universidade de Maryland Baltimore County e do Goddard Space Flight Center da NASA, Assaf Anyamba. Em seu trabalho intitulado “Predicting Disease Outbreaks from Space” (Prevendo Surtos de Doenças do Espaço, em inglês), o geógrafo teve a ideia de analisar via satélite comportamentos estranhos na temperatura, umidade, vegetação e outros índices de variabilidade climática para prever doenças. A partir desta análise, Anyamba, outros cientistas, profissionais de saúde pública, especialistas agrícolas e militares trabalharam em um sistema capaz de prever quando e onde um surto da febre mortal do Vale do Rift (RVF) ocorreria. O sistema de alerta conseguiu prever com sucesso surtos da doença hemorrágica mortal na África Oriental, no Sudão e na África do Sul.

Em 2020, com a pandemia de Covid-19, a tecnologia em nuvem provou para o mundo inteiro ser uma grande aliada no controle do contágio. Em meio à necessidade de conter a mobilização social, configurou-se em cidades dos quatro cantos da Terra regimes de lockdown, isolamento ou distanciamento social, fazendo com que milhões de pessoas permanecessem em suas casas. Nesse contexto, a computação em nuvem teve um papel fundamental em dois aspectos: na implantação do home office nas organizações e na adaptação a novos modos de lazer. Dessa forma, a acessibilidade e a disponibilidade oferecida por essa tecnologia permitiu que qualquer profissional acessasse softwares, colaborassem com seus colegas e realizassem seu trabalho independente de onde estivesse. Além disso, nas horas vagas, a tecnologia em nuvem forneceu uma diversidade de conteúdo de streaming, desde livros, filmes, séries, músicas, podcasts até mesmo cursos e workshops. Assim, a nuvem permitiu com que, quem pudesse ficar em casa, protegesse a si mesmo e aos demais e, consequentemente, freasse a propagação do vírus.

 



Quer ficar por dentro das novidades do Aprix Journal? Assine nossa newsletter semanal e receba as últimas reportagens e notícias sobre combustíveis, tecnologia e precificação diretamente em seu e-mail. Ou, se preferir, receba pelo WhatsApp. Basta clicar neste link, salvar nosso número e nos enviar uma mensagem.

 


Compartilhe este material