Vale a pena contratar um software de precificação?

Veja os prós e contras para a sua empresa entre contratar um software de precificação e desenvolver uma plataforma internamente

A aplicação de inteligência artificial no processo de pricing pode contribuir para decisões mais inteligentes e eficientes, por meio da automatização de etapas, da melhoria dos processos e do aumento da produtividade das equipes. Em níveis mais avançados de maturidade, esse movimento se traduz na implementação de um software de precificação que passa a sustentar todo o processo, o AI-based pricing. Com isso, a busca por agilidade tecnológica se torna inevitável. Para responder com rapidez às pressões do mercado, muitas empresas recorrem a iniciativas pontuais, desenvolvimentos internos acelerados ou adaptações improvisadas de sistemas existentes. Em muitos casos, essas escolhas priorizam o curto prazo e acabam criando camadas adicionais de complexidade que precisam ser administradas ao longo do tempo.

Segundo Frederico Maciel, CPO da Aprix, “ao integrar um modelo SaaS de ponta com uma equipe interna qualificada, pricing e RGM conseguem criar velocidade, governança e qualidade de informação. Assim, conseguimos transformar o pricing de bombeiro para orquestrador.” Para o CPO, essa combinação entre tecnologia e time interno permite tomar decisões mais ágeis e estratégicas, evitando soluções paliativas que podem gerar passivos técnicos. É justamente nesse ponto que soluções SaaS ganham relevância estratégica. Ao oferecer plataformas já testadas, continuamente atualizadas e desenhadas para escalar, o modelo SaaS pode atuar como um mecanismo de mitigação e gestão da dívida tecnológica, reduzindo a necessidade de desenvolvimentos paralelos e o acúmulo de passivos técnicos.

De acordo um estudo da McKinsey, seja por meio de um único serviço ou da combinação de diferentes soluções, plataformas SaaS costumam atender até 90% das necessidades de uma área, com vantagens como segurança, escalabilidade e evolução contínua, sem exigir uma equipe dedicada de desenvolvimento. Além disso, uma pesquisa da mesma instituição apontou que 1 em cada 3 CIOs entrevistados acreditam que mais de 20% do orçamento de tecnologia, supostamente destinado a novos produtos, é desviado para resolver problemas relacionados à dívida técnica. Ainda assim, algumas empresas optam por desenvolver soluções internamente pela maior possibilidade de personalização, mais controle e menos dependência externa. Por isso, ao buscar elevar a maturidade do pricing, é fundamental avaliar o melhor caminho: adotar uma solução SaaS com expertise em precificação ou criar uma plataforma própria com a equipe interna.

A seguir, destacamos os principais pontos a considerar nessa decisão e como cada alternativa pode impactar a operação!

1. Integração das base de dados

Um passo fundamental na implementação de uma plataforma de precificação é a integração das bases de dados que fornecem informações para as decisões de preços. Caso a empresa não disponha de um data lake que centralize todas as fontes de dados, em ambos os casos, será necessário construir um, o que pode ser realizado pela própria equipe ou pela empresa do software terceirizado. De acordo com Frederico, esse fator, isolado, já contribui para tornar o processo de pricing mais robusto. Ainda é possível avaliar se o software a ser contratado pode fornecer dados adicionais ao processo.

2. Tecnologia utilizada

Outro fator que precede essa escolha é a tecnologia envolvida no sistema. De acordo com Pollyanna Lopes Mota, analista de TI da Universidade Federal de Viçosa (UFV), é preciso considerar se o software em questão requer uma tecnologia que a equipe de desenvolvimento não domine, ou que não tenha aplicação aos servidores utilizados, o que pode ser uma limitação para softwares de terceiros.

3. Valor do produto

O valor do pacote é um dos principais pontos a serem considerados, pois depende do orçamento disponível para a inovação e aplicação de novas tecnologias. Neste ponto, além do custo de implementação, também deve ser considerado o valor de manutenção do produto, e contrapor ao custo estimado de desenvolvê-lo pela equipe, além de avaliar se será necessário efetuar novas contratações na equipe desenvolvedora. Nesse caso, é necessário comparar o custo do produto com o tamanho da oportunidade.

4. Dependência do produto

Na contratação de um software de precificação, é fundamental garantir que o sistema esteja bem ajustado às necessidades do setor de pricing para poder atender as demandas. Nesse caso, além de certificar-se da qualidade da plataforma escolhida, também é essencial garantir que o processo de pricing na empresa esteja o mais refinado possível e preparado para receber um novo sistema. “Muitas vezes, é necessário fazer um redesenho do processo, já que muitos processos de pricing que estão em um nível de maturidade mais baixo não têm um processo muito robusto ainda”, explica Maciel.

5. Controle sobre as alterações e necessidades

Por outro lado, a contratação de uma plataforma externa às vezes impõe que haja alterações no processo, o que algumas equipes consideram um problema. “Muitas vezes, as pessoas não estão dispostas a mudar sua forma de trabalhar para se adaptar ao sistema, desejam que o sistema trabalhe do jeito que elas já estão acostumadas”, argumenta Pollyanna. Ao desenvolver um sistema próprio, acontece a adaptação do sistema ao processo, e não do processo ao sistema. Embora as atualizações constantes tragam novas funcionalidades, isso não acontece com o mesmo nível de personalização. Ao mesmo tempo, isso representa uma carga de trabalho maior à equipe de TI da empresa.

6. Demandas da equipe de TI

Por fim, embora a decisão final caiba sempre à diretoria, é fundamental ouvir as necessidades dos times — pricing e TI — envolvidos na realização do projeto. “Um dos pontos positivos de contratar um software de precificação é não gastar a mão de obra dos desenvolvedores fazendo uma coisa que já está pronta no mercado”, diz Pollyanna. Nesse caso, a equipe de tecnologia pode focar em demandas mais específicas da empresa, enquanto o time de pricing usufrui de uma plataforma desenhada a partir da expertise no processo de precificação.

Foto de Júlia Provenzi
Júlia Provenzi
Júlia Provenzi é jornalista, formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na Aprix, escreve sobre tendências no mundo dos negócios e inovação aliadas às áreas de pricing. Busca desmistificar o uso da IA e de tecnologias de ponta no contexto do Revenue Growth Management (RGM) em grandes companhias.
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Júlia Provenzi
Júlia Provenzi é jornalista, formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na Aprix, escreve sobre tendências no mundo dos negócios e inovação aliadas às áreas de pricing. Busca desmistificar o uso da IA e de tecnologias de ponta no contexto do Revenue Growth Management (RGM) em grandes companhias.

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